Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Luís de Camões
*
Minha culpa Sei lá!
Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Florbela Espanca
*
O que me dói não é
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa, 5-9-1933
Importuna Razão, não me persigas
Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.
Bocage
*
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen
**
**
O barulho ensurdecedor
Mostra-me o silêncio,
Essa sagrada condição,
Nesta Vida de contradição…
Ah! O Silêncio!
Apagas-me a dor…
Deixas-me pensar,
Mostras-me o mar
E o eterno luar,
O mar que é os meus pensamentos,
Nos momentos…
O silêncio, o luar…
E o mar…
Enfim repousar…
*12/01/06
E porque temos e tivemos grandes poetas...e porque poesia pode ser em qualquer dia.
quarta-feira, março 22, 2006
terça-feira, março 07, 2006
Hipócrita
Often reflect on what I know I am,
I try so hard to be the least I can,
easy to admit, hard to change the way I am
so far from my ideals of a perfect man.
So far what I have seen has not pleased me well,
so far what I have been has not made me well,
so far what I have said,
it was not said well so well,
have I survived, well.
I've been so,
I've been so sorry,
I am so,
I am so sorry,
and i'll be so sorry.
King hipocrit inm my own life.
My biggest consolation is that you are far worse,
you do not even admit,
you do not accept the curse,
that it is to be a liar and a two-faced jerk,
you do not not speak for yourself, ´
you do not speak your own words.
Como podes te entregar?
Sabendo que nem foste tu o incapacitado de pensar,
de criar,
uma nova doutrina para o resto idealizar,
outro dogma,
outra ideologia que é fraca para criar,
procriar outro conjunto de iguais para fazer como tu fazes,
como te ensinaram a pensar,
e aceitar,
sem tentar compreender,
sem ver que não é bem assim,
que tu não podes viver bem assim,
hipócrita!
Primitive Reason
I try so hard to be the least I can,
easy to admit, hard to change the way I am
so far from my ideals of a perfect man.
So far what I have seen has not pleased me well,
so far what I have been has not made me well,
so far what I have said,
it was not said well so well,
have I survived, well.
I've been so,
I've been so sorry,
I am so,
I am so sorry,
and i'll be so sorry.
King hipocrit inm my own life.
My biggest consolation is that you are far worse,
you do not even admit,
you do not accept the curse,
that it is to be a liar and a two-faced jerk,
you do not not speak for yourself, ´
you do not speak your own words.
Como podes te entregar?
Sabendo que nem foste tu o incapacitado de pensar,
de criar,
uma nova doutrina para o resto idealizar,
outro dogma,
outra ideologia que é fraca para criar,
procriar outro conjunto de iguais para fazer como tu fazes,
como te ensinaram a pensar,
e aceitar,
sem tentar compreender,
sem ver que não é bem assim,
que tu não podes viver bem assim,
hipócrita!
Primitive Reason
domingo, fevereiro 19, 2006
Acontecimento do ano
Foi hoje, e milhares de pessoas se deslocaram para o acontecimento, sim, não fosse acontecer algum milagre e o Zé Povinho não ver...E para completar, todos os canais fazem uma MEGA cobertura especial para o acontecimento! Não caros amigos, não é o mitico derby SCP Vs SLB, e não, também não, não é uma guerra em directo, nem a queda de uma ditadura ou edificio...Ah e muito menos o lançamento de um livro ou foguetão, mas também há milhares de espectadores especados e telespectadores espantados....É nada mais nada menos, que a translacção dos ossitos da Santa Irmã Lucia. Sim, milhares de velas queimadas, dezenas de milhares de pessoas em preces, umas centenas por arrasto, centenas de jornalistas, toneladas de comida, litros de vinho, tendas com fartura, e venda ambulante, os animais de estimação das pessoas, as crianças a correr...enfim todo o aparato que a importante situação exige...Até consigo imaginar cenas parecidas, na época do barroco, com grandes aparatos, enquanto transportavam umas certas estatuas de anjos martires para o convento de Mafra, tudo com pompa e circunstancia...
É destes cultos acontecimentos que o país tem falta, se não fosse por este tipo de coisas eu diria que os portugueses só se interessam por telenovelas e reallity show's.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Era uma vez...
Era uma vez um gaijo que era desenhista algures na Europa, algures num jornal…E um e dia lembrou-se de desenhar a sagrada figura de Maomé, bom, “Que mal tem isto?” Pensou ele, “afinal HÀ LIBERDADE DE EXPRESSÃO”, por isso lá se inspirou, e se esforçou, e lá riscou uma folha, e saiu um Moamé bombista, o reflexo do traumatizado jornalista ocidental, que imaginou o Maomé dos bombistas… um bombista!
Era uma vez uma multidão, ofendida, chocada, ultrajada, ofendida, angustiada, violentada, ofendida e islâmica. A multidão grunh…grita! Ofendida com o ultraje ocidental! “Já não há respeito” gritam! “Lá que eles caricaturem lá o POPE ou PAPA ou lá com se chama, com um preservativo no nariz, isso é uma coisa, mas Maomé!?”
Era uma vez a ÉTICA JORNALISTICA, e o respeito pelo próximo, era uma vez…já não é.
Era uma vez uma VARA enfurecida, digo VARA por eles não são mais do que porcos, gritando o nome do pacífico e inocente Maomé, de armas na mão, bombas na cintura e ódio no coração! Era uma vez uma embaixada, duas, três, algumas, feitas em cinzas, num acto animal, em nome de Deus?!
Era uma vez os Ocidentais, que sofrem de Etnocentrismo (ilusão de que a nossa Cultura é superior á de outrem).
Era uma vez os Islâmicos, que padecem do mesmo mal.
E agora?
Era uma vez um ovo.
Era uma vez uma galinha.
E agora? Qual foi primeiro?
Era uma vez o ocidental que deu um murro.Era uma vez um murro que foi dado por o islamico.
Era uma vez um mundo….era uma vez…
Era uma vez uma multidão, ofendida, chocada, ultrajada, ofendida, angustiada, violentada, ofendida e islâmica. A multidão grunh…grita! Ofendida com o ultraje ocidental! “Já não há respeito” gritam! “Lá que eles caricaturem lá o POPE ou PAPA ou lá com se chama, com um preservativo no nariz, isso é uma coisa, mas Maomé!?”
Era uma vez a ÉTICA JORNALISTICA, e o respeito pelo próximo, era uma vez…já não é.
Era uma vez uma VARA enfurecida, digo VARA por eles não são mais do que porcos, gritando o nome do pacífico e inocente Maomé, de armas na mão, bombas na cintura e ódio no coração! Era uma vez uma embaixada, duas, três, algumas, feitas em cinzas, num acto animal, em nome de Deus?!
Era uma vez os Ocidentais, que sofrem de Etnocentrismo (ilusão de que a nossa Cultura é superior á de outrem).
Era uma vez os Islâmicos, que padecem do mesmo mal.
E agora?
Era uma vez um ovo.
Era uma vez uma galinha.
E agora? Qual foi primeiro?
Era uma vez o ocidental que deu um murro.Era uma vez um murro que foi dado por o islamico.
Era uma vez um mundo….era uma vez…
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